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Décimo terceiro a dois: como decidir o destino do dinheiro
O 13º chega de uma vez e some rápido. Veja como o casal pode decidir junto o destino do décimo terceiro entre contas de janeiro, dívidas, reserva e metas.
O décimo terceiro do casal rende mais quando o destino dele é decidido antes de o dinheiro cair na conta: os dois somam quanto vão receber, listam as prioridades (contas de começo de ano, dívidas, reserva, metas) e definem quanto vai para cada uma, incluindo um valor livre para cada um. Sem esse plano, o 13º costuma virar gasto de dezembro e sumir antes de janeiro, justamente o mês em que ele mais faria falta.
O 13º é um dos poucos momentos do ano em que entra um dinheiro extra de uma vez. Isso dá uma sensação de folga que, no casal, pode ser interpretada de jeitos diferentes: um vê a chance de quitar aquela dívida, o outro pensa na viagem, e os dois lembram dos presentes de Natal. Quando cada um tem um plano diferente na cabeça e nenhum foi conversado, o dinheiro acaba indo para onde a urgência do momento empurra.
Por que o 13º some tão rápido
O primeiro motivo é o calendário. O 13º costuma ser pago no fim do ano, junto com Natal, festas, viagens de férias e presentes. É o mês em que a vontade de gastar é maior e em que o dinheiro extra parece ter chegado exatamente para isso.
O segundo é que janeiro costuma ser um mês pesado e pouco lembrado em dezembro. Contas típicas de começo de ano, material escolar, matrícula, parcelas de compras de fim de ano e a fatura do cartão com os gastos das festas chegam todas juntas.
O terceiro é a falta de destino. Dinheiro que entra na conta sem plano se mistura com o dinheiro do mês e é gasto aos poucos, sem que nenhuma decisão grande tenha sido tomada. No fim, o casal não sabe dizer para onde ele foi.
Antes de decidir: quem recebe, quanto e quando
Nem todo casal recebe o 13º do mesmo jeito, e isso muda a conversa.
- Quem recebe: muitas vezes só um dos dois tem direito, porque o outro é autônomo, empresário ou trabalha sem esse benefício.
- Quanto: o valor que interessa é o líquido, o que efetivamente cai na conta.
- Quando: o pagamento costuma vir em duas parcelas, e saber as datas ajuda a planejar o que sai de cada uma.
Quando só um dos dois recebe, vale combinar se o 13º é tratado como dinheiro do casal ou como dinheiro de quem recebeu. Não existe resposta certa, mas decidir isso antes evita a sensação de que um está decidindo sobre o dinheiro do outro. E quem não recebe 13º pode criar o próprio: guardar um valor por mês ao longo do ano, para ter também um dinheiro extra no fim do ano.
Os destinos mais comuns do 13º do casal
Cada casal tem prioridades diferentes, mas os destinos costumam se repetir. Vale olhar cada um com o que ele resolve e o que ele deixa em aberto.
Contas de começo de ano
Reservar parte do 13º para as contas que chegam em janeiro e fevereiro evita começar o ano no aperto.
Faz mais sentido quando: o casal já sabe que tem contas grandes no começo do ano e não guardou dinheiro para elas ao longo dos meses.
O que deixa em aberto: resolve o curto prazo, mas não adianta nenhum plano maior.
Dívidas em aberto
Usar o 13º para quitar ou reduzir uma dívida, principalmente as que cobram juros mais altos, tira um peso dos meses seguintes.
Faz mais sentido quando: existe uma dívida que já está pesando no orçamento todo mês.
O que deixa em aberto: se a dívida veio de um padrão de gastos que continua, ela tende a voltar. Vale conversar sobre a causa, não só sobre o valor.
Reserva de emergência
Quando o casal ainda não tem uma reserva, ou ela está abaixo do combinado, o 13º pode dar um salto no valor guardado. O post sobre como criar uma reserva de emergência do casal ajuda a definir quanto ela deveria ter.
Faz mais sentido quando: a reserva não existe ou ainda cobre pouco tempo de despesas.
O que deixa em aberto: pode parecer um destino sem graça, e o casal precisa estar confortável com a ideia de que o 13º não vai virar nada visível.
Metas e compras planejadas
Uma viagem, a troca de um móvel, a entrada de um plano maior. O 13º pode antecipar uma meta que já estava no plano do casal, como mostra o post sobre como definir metas financeiras em casal.
Faz mais sentido quando: a meta já existia e tinha valor e prazo definidos antes do 13º chegar.
O que deixa em aberto: metas criadas na hora, só porque o dinheiro apareceu, costumam ser menos pensadas. Se a ideia for uma compra grande, vale seguir o mesmo cuidado de decidir compras grandes a dois.
Um valor livre para cada um
Separar uma parte do 13º para cada um gastar como quiser, sem precisar justificar, costuma deixar o resto do plano mais fácil de cumprir.
Faz mais sentido quando: quase sempre. Um plano que não deixa nenhuma folga tende a ser abandonado no primeiro impulso de dezembro.
O que deixa em aberto: o valor livre precisa ser combinado, para não virar a maior parte do 13º.
Comparando os destinos
| Destino | Melhor quando | Cuidado |
|---|---|---|
| Contas de começo de ano | Janeiro costuma apertar | Resolve só o curto prazo |
| Dívidas em aberto | Uma dívida pesa todo mês | Entender a causa para não voltar |
| Reserva de emergência | Reserva inexistente ou baixa | Não gera nada visível |
| Metas planejadas | Meta com valor e prazo já definidos | Evitar metas criadas na hora |
| Valor livre para cada um | Quase sempre | Combinar o tamanho |
A maioria dos casais não escolhe um destino só. O mais comum é dividir o 13º entre três ou quatro deles, em proporções decididas pelos dois.
Como decidir o destino do 13º juntos
- Somem o valor líquido que cada um vai receber, e as datas de cada parcela.
- Listem os compromissos de dezembro e janeiro que ainda não têm dinheiro reservado, incluindo os gastos com presentes e datas comemorativas.
- Olhem para dívidas e reserva: existe alguma dívida pesando? A reserva está no valor combinado?
- Escolham as metas que o 13º pode antecipar, entre as que já existiam.
- Definam o valor livre de cada um, antes de distribuir o resto.
- Distribuam o valor em percentuais ou reais e anotem o plano, para que ninguém dependa da memória em dezembro.
Parece muito para decidir, mas na prática a conversa costuma durar menos de uma hora quando os números estão na mesa. Vale deixar o plano num lugar que os dois consultem com facilidade, e separar cada valor assim que a parcela cair, antes de qualquer gasto de fim de ano. Dinheiro que já foi para o destino combinado não corre o risco de ser usado por impulso.
Exemplo prático: Beatriz e Rodrigo
Beatriz tem carteira assinada e vai receber R$ 4.000 líquidos de 13º, em duas parcelas. Rodrigo é autônomo e não recebe 13º. Os dois combinaram que o 13º de Beatriz seria usado em planos do casal, com uma parte livre para ela.
Os presentes de Natal já estavam cobertos, porque o casal guardava um valor por mês para isso. Então sentaram em novembro e distribuíram os R$ 4.000 assim: R$ 1.000 para as contas de começo de ano, R$ 1.400 para completar a reserva de emergência, que estava abaixo do combinado, R$ 1.000 para a meta da viagem de julho e R$ 600 livres para Beatriz.
Rodrigo, por sua vez, decidiu criar o próprio 13º para o ano seguinte. Como o valor que ele considera como salário é de R$ 4.800 por mês, passou a guardar R$ 400 todo mês, o que dá R$ 4.800 no fim do ano. No próximo dezembro, os dois vão ter um dinheiro extra para planejar, e não só um deles.
Em janeiro, as contas de começo de ano saíram do valor reservado, a fatura veio só com os gastos normais, e a reserva de emergência chegou ao valor que eles tinham combinado meses antes.
Erros comuns com o 13º do casal
- Não decidir antes de o dinheiro entrar. Dinheiro sem destino se mistura com o do mês e some em pequenos gastos.
- Gastar tudo em dezembro. Janeiro costuma trazer contas grandes, e o 13º é justamente o dinheiro que poderia cobri-las.
- Um decidir sozinho o destino do 13º do outro. Mesmo quando o dinheiro vai para planos do casal, quem recebe precisa participar da decisão.
- Não deixar nenhuma folga. Um plano sem valor livre tende a ser abandonado no primeiro impulso de fim de ano.
- Criar metas na hora só porque o dinheiro apareceu. Metas pensadas ao longo do ano costumam fazer mais sentido do que as decididas por impulso.
- Esquecer quem não recebe 13º. Quando só um recebe, vale pensar em como o outro também pode ter um dinheiro extra no fim do ano.
Perguntas frequentes
O que o casal deve fazer com o 13º salário?
Não existe um destino certo para todo casal. Os mais comuns são contas de começo de ano, dívidas em aberto, reserva de emergência, metas planejadas e um valor livre para cada um. O importante é decidir junto e antes de o dinheiro entrar, dividindo o valor entre as prioridades do casal.
O 13º é de quem recebe ou do casal?
Depende do combinado entre vocês. Alguns casais tratam o 13º como dinheiro do casal, outros como dinheiro de quem recebeu. Quando só um dos dois recebe, vale conversar sobre isso antes, para que ninguém se sinta decidindo sobre o dinheiro do outro.
Vale usar o 13º para quitar dívidas?
Quando existe uma dívida que pesa no orçamento todo mês, usar parte do 13º para reduzi-la costuma aliviar os meses seguintes. Vale também entender por que a dívida surgiu, para que ela não volte no ano seguinte.
Como um autônomo pode ter 13º?
Guardando um valor por mês ao longo do ano, como se fosse uma parcela do próprio 13º. Dividir um mês de renda por doze e separar esse valor todo mês garante um dinheiro extra no fim do ano, para planejar junto com o parceiro.
Quando começar a planejar o destino do 13º?
Antes de a primeira parcela cair na conta. Planejar em outubro ou novembro dá tempo de olhar os compromissos de dezembro e janeiro com calma e evita que o dinheiro seja gasto antes de o casal decidir o que fazer com ele.
O 13º é uma das poucas chances do ano de dar um passo maior nas finanças do casal sem apertar o mês. Quando o destino é decidido antes, junto e com uma folga para cada um, ele deixa de sumir em dezembro e passa a aparecer onde os dois escolheram: numa conta de janeiro paga, numa reserva mais cheia ou numa meta mais perto de acontecer.
