Pular para o conteúdo

9 min de leitura

Compras grandes a dois: como decidir sem brigar

Carro, sofá, geladeira: veja como decidir compras grandes a dois, escolher entre juntar antes ou parcelar e dividir o valor entre vocês sem atrito.

Compras grandes a dois ficam mais fáceis quando o casal combina, antes de qualquer vitrine, três coisas: a partir de que valor uma compra é decidida pelos dois, como ela vai ser paga (juntando antes, parcelando ou os dois) e como o valor é dividido entre vocês. Com esse combinado, a decisão deixa de ser sobre quem quer mais e passa a ser sobre o que cabe no plano do casal.

Um sofá novo, uma geladeira que quebrou, a troca do carro, uma televisão maior. Compras desse tamanho têm um peso diferente do mercado da semana: mexem no orçamento de vários meses e costumam envolver gosto pessoal, urgência e, às vezes, um pouco de ansiedade. É também o tipo de gasto em que um dos dois decide sozinho e o outro só descobre quando a fatura chega.

O que conta como compra grande para o casal

Não existe um valor universal. Para um casal, R$ 500 já é uma compra que merece conversa; para outro, só a partir de R$ 3.000. O que define uma compra grande é o impacto no orçamento: se ela ocupa uma parte relevante da renda do mês, se vai ser parcelada por muitos meses ou se tira dinheiro de alguma meta.

Algumas compras costumam entrar nessa categoria em quase todo casal:

  • Móveis: sofá, cama, mesa, guarda-roupa.
  • Eletrodomésticos e eletrônicos: geladeira, máquina de lavar, televisão, computador.
  • Veículos: carro, moto, e também os gastos que vêm junto, como seguro e manutenção.
  • Reformas: pintura, troca de piso, cozinha planejada.
  • Experiências caras: uma viagem longa ou um curso de valor alto.

Vale notar que compras grandes nem sempre são de itens compartilhados. Um computador para o trabalho de um dos dois ou um curso individual também podem pesar no planejamento do casal, principalmente quando vão ser parcelados ou quando o dinheiro sai de uma reserva comum.

Combinem um valor a partir do qual os dois decidem juntos

O combinado mais útil para compras grandes é um valor de referência: acima dele, a compra é conversada antes. Abaixo dele, cada um decide sozinho, sem precisar pedir licença.

Esse valor não é sobre controle, é sobre previsibilidade. Ele protege o orçamento comum de surpresas e, ao mesmo tempo, protege a autonomia de cada um nas compras do dia a dia. Sem ele, o casal tende a cair em um de dois extremos: consultar o outro para qualquer gasto, o que cansa, ou não consultar para nada, o que gera sustos.

Algumas perguntas ajudam a definir o valor:

  1. Quanto sobra por mês, depois das contas fixas? O valor de referência costuma ser uma fração dessa sobra.
  2. A compra é para os dois ou para um só? Compras de uso individual com dinheiro individual podem ter um valor de referência mais alto.
  3. Vai ser parcelada? Parcelas comprometem os próximos meses, e por isso muitos casais combinam que qualquer parcelamento acima de algumas vezes é conversado, independente do valor.

Três formas de pagar uma compra grande

Juntar antes e pagar à vista

O casal define o valor da compra, divide por um número de meses e guarda esse valor até ter o total. A compra acontece quando o dinheiro está disponível.

Quando funciona bem: quando a compra não é urgente e o casal consegue esperar alguns meses. Pagar à vista costuma abrir espaço para negociar desconto e não compromete os meses seguintes.

Onde costuma travar: exige paciência, e o dinheiro guardado corre o risco de ser usado para outra coisa no meio do caminho se não estiver separado.

Parcelar no cartão

A compra acontece na hora e o valor é dividido em parcelas na fatura dos próximos meses.

Quando funciona bem: quando a compra é urgente, como uma geladeira que quebrou, e quando o parcelamento é sem juros e as parcelas cabem no orçamento com folga.

Onde costuma travar: parcelas se acumulam. Uma compra parcelada em dez vezes, somada a outras duas ou três, faz a fatura de cada mês começar comprometida. Parcelamento com juros também aumenta o custo total da compra.

Juntar uma parte e parcelar o resto

O casal junta uma entrada por alguns meses e parcela só o restante, em menos vezes.

Quando funciona bem: quando a compra pode esperar um pouco, mas não muito, e o casal quer evitar parcelas longas.

Onde costuma travar: exige combinar os dois planos, o da poupança e o das parcelas, e acompanhar ambos até o fim.

Comparando as formas de pagar

FormaMelhor paraPonto fraco
Juntar e pagar à vistaCompras que podem esperarExige paciência e dinheiro separado
Parcelar no cartãoCompras urgentes, sem jurosParcelas acumuladas comprometem a fatura
Entrada guardada e parcelasMeio-termo entre esperar e comprar jáAcompanhar dois planos ao mesmo tempo

Quando a compra pode esperar, transformá-la numa meta com valor e prazo costuma funcionar melhor do que deixar como um desejo vago. O post sobre como definir metas financeiras em casal mostra como fazer isso. E quando a escolha for parcelar, vale acompanhar como as parcelas se somam nas próximas faturas, como explica o post sobre organizar as faturas do cartão do casal.

Uma regra que muitos casais adotam: compra grande não sai da reserva de emergência. A reserva de emergência do casal existe para imprevistos, e uma geladeira quebrada até pode ser um, mas um sofá novo dificilmente é.

Quando a compra é urgente de verdade, como um eletrodoméstico essencial que parou de funcionar, a conversa muda de "vale a pena?" para "qual é a opção mais simples que resolve?". Nesses casos, ajuda seguir uma ordem: primeiro ver se o conserto resolve, depois considerar um modelo intermediário em vez do mais caro, e só então decidir entre usar a reserva ou parcelar. Se a reserva for usada, vale combinar desde já quanto vão devolver para ela por mês, para que ela não fique vazia até o próximo imprevisto.

Como dividir o valor entre os dois

Decidida a compra e a forma de pagar, falta decidir quem paga quanto. As opções mais comuns:

  • Meio a meio: simples, e faz sentido quando a renda dos dois é parecida e o item é de uso comum.
  • Proporcional à renda: cada um contribui com a mesma fatia do que ganha. É o mais equilibrado quando existe diferença de renda.
  • Por uso: quem usa mais paga mais. Funciona para itens de uso individual, como um computador de trabalho ou um carro que só um dos dois dirige.

Vale também combinar o que acontece com o item se a vida do casal mudar. Não é pessimismo, é a mesma lógica de qualquer combinado: decidir com calma o que ficaria difícil decidir num momento ruim.

Exemplo prático: Mariana e Otávio

Mariana e Otávio querem trocar o sofá, que já está gasto. O modelo que escolheram custa R$ 4.800. Mariana ganha R$ 4.000 e Otávio, R$ 6.000, e os dois dividem as contas comuns na proporção da renda: 40% para Mariana e 60% para Otávio.

Como o sofá não era urgente, eles consideraram três caminhos. Juntando tudo antes, guardariam R$ 800 por mês durante seis meses: Mariana com R$ 320 e Otávio com R$ 480. Parcelando tudo em dez vezes sem juros, seriam R$ 480 por mês na fatura durante dez meses: Mariana com R$ 192 e Otávio com R$ 288.

Escolheram o meio-termo. Guardaram R$ 800 por mês durante três meses, chegando a R$ 2.400 de entrada, e parcelaram os outros R$ 2.400 em cinco vezes de R$ 480 sem juros. Assim, o sofá chegou em três meses, em vez de seis, e a fatura ficou comprometida por cinco meses, em vez de dez. Durante todo o processo, mantiveram a proporção de 40% e 60%.

Antes de fechar a compra, conferiram se já tinham outras parcelas longas na fatura. Tinham uma, que terminava no mês seguinte, e por isso escolheram começar o parcelamento do sofá só depois dela.

Erros comuns em compras grandes a dois

  • Decidir sozinho e avisar depois. Mesmo que o dinheiro seja de quem comprou, compras grandes costumam afetar o planejamento dos dois.
  • Olhar só o valor da parcela. Uma parcela que parece pequena vira um compromisso de muitos meses, e várias parcelas pequenas somadas pesam como uma grande.
  • Tirar da reserva de emergência. A reserva existe para imprevistos, e usá-la para uma compra planejada deixa o casal exposto ao próximo aperto.
  • Esquecer os custos que vêm junto. Carro tem seguro, manutenção e combustível. Móveis podem precisar de frete e montagem.
  • Comprar por impulso numa promoção. Uma boa oferta só é boa se a compra já estava nos planos.
  • Não combinar como dividir antes de pagar. Decidir quem paga quanto depois da compra feita costuma virar discussão.

Perguntas frequentes

A partir de que valor o casal deve decidir junto uma compra?

Não existe um valor universal. Muitos casais definem um valor de referência com base no quanto sobra por mês depois das contas fixas: acima dele, a compra é conversada antes. Parcelamentos longos também costumam entrar nessa regra, independente do valor.

É melhor juntar dinheiro ou parcelar uma compra grande?

Depende da urgência e das parcelas que vocês já têm. Juntar antes costuma dar mais margem para negociar e não compromete os próximos meses. Parcelar sem juros faz sentido quando a compra é urgente e as parcelas cabem com folga. Um meio-termo é juntar uma entrada e parcelar o resto em menos vezes.

Como dividir uma compra grande quando os salários são diferentes?

Dividir na proporção da renda costuma ser o mais equilibrado: cada um contribui com a mesma fatia do que ganha. Para itens de uso individual, como um computador de trabalho, faz sentido que quem usa arque com a maior parte.

O que fazer quando um dos dois quer muito uma compra e o outro não?

Vale separar o desejo do planejamento. Se a compra não é essencial, uma saída comum é transformá-la numa meta com prazo, em vez de decidir na hora. Outra é o casal aceitar que a compra seja feita com o dinheiro pessoal de quem quer, sem sair do orçamento comum. O que costuma dar errado é um ceder a contragosto e a compra virar motivo de cobrança depois.

Pode usar a reserva de emergência para uma compra grande?

A reserva existe para imprevistos, como a perda de renda ou um problema de saúde. Uma geladeira que quebrou pode ser um imprevisto; uma troca de sofá planejada, não. Usar a reserva em compras planejadas costuma deixar o casal sem proteção quando o imprevisto de verdade aparecer.

Compras grandes não precisam ser motivo de briga nem de susto na fatura. Com um valor de referência combinado, uma forma de pagar escolhida junto e uma divisão clara, a decisão fica mais sobre o sofá e menos sobre quem tinha razão. E quando a compra vira meta, os dois conseguem acompanhar juntos quanto já foi guardado e quanto falta para ela sair do plano.

Comecem hoje a organizar a vida financeira a dois

Baixem o Coupe, conectem os bancos e vejam o mês do casal organizado em poucos minutos.